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Como a saúde da Baía de Guanabara foi calculada?

Boletins de saúde ambiental são usados por gestores de recursos para avaliar e reportar sobre a saúde ambiental do ecossistema de uma região. O desenvolvimento de avaliações rigorosas e quantitativas fornece credibilidade no suporte de esforços necessários para a recuperação ambiental. O processo de cinco etapas para o desenvolvimento dos boletins é usado para avaliar o progresso: 1) determinar valores e ameaças, 2) escolher indicadores, 3) definir limites para os indicadores, 4) calcular as pontuações, e 5) comunicar os resultados.

Este boletim de saúde ambiental fornece uma avaliação transparente, oportuna, e geograficamente detalhada da saúde da Baía de Guanabara e sua bacia hidrográfica usando dados de monitoramento de 2013-2015, coletados pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). A saúde da Baía de Guanabara e a saúde da Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara são definidas através da análise de cinco indicadores comparados com limites ou metas cientificamente determinadas. Os indicadores são combinados em duas pontuações gerais, uma para a Baía e uma para a bacia hidrográfica.

Cada amostra é comparada com um limiar para calcular uma pontuação em forma percentual de 0 a 100. As pontuações produzidas pelas estações de monitoramento são usadas para calcular a média específica de cada estação. As pontuações das estações de monitoramento presentes nas regiões distintas são usadas para calcular a média específica de cada região. O percentual do indicador é a média das pontuações de todas as regiões.

Índice de Qualidade de Água

O Boletim de Saúde Ambiental da Baía de Guanabara compara 5 indicadores para a Baía (oxigênio dissolvido, demanda biológica de oxigênio, fósforo total, nitrogênio inorgânico dissolvido, coliformes fecais) e 5 indicadores para os rios da bacia hidrográfica (oxigênio dissolvido, demanda biológica de oxigênio, ortofosfato, nitrogênio inorgânico dissolvido e turbidez) com limites padrões derivados cientificamente. Esses indicadores são combinados em dois Índices de Qualidade das Águas (um para a Baía e outro para a bacia hidrográfica). Os dados são fornecidos pelo INEA

Oxigênio Dissolvido

O oxigênio dissolvido em água é crítico para a sobrevivência de animais aquáticos. A maior parte das criaturas que vivem na água dependem do oxigênio para sobreviver. A medida que a concentração de oxigênio dissolvido na água decresce, se torna difícil para os animais conseguirem o oxigênio necessário para a sobrevivência. O baixo nível de oxigênio dissolvido é frequentemente resultado da eutrofização, que ocorre quando se têm muitos nutrientes (tais como nitrogênio e fósforo) nas águas causando densa proliferação e crescimento de algas. Quando essas algas morrem e se decompõem, o processo de decomposição consome o oxigênio dissolvido nas águas, reduzindo a disponibilidade deste oxigênio para os outros seres vivos e organismos, que acabam sendo prejudicados, chegando até mesmo a morrer.

Demanda Bioquímica de Oxigênio

A demanda bioquímica de oxigênio é a quantidade de oxigênio dissolvido necessária para os microorganismos aeróbicos degradarem a matéria orgânica presente na água.

Nitrogênio Inorgânico Dissolvido

Como o fósforo, o nitrogênio também é um nutriente de grande preocupação ambiental porque em excesso é responsável pela eutrofização. Todos os organismos vivos precisam de nutrientes para crescer e os nutrientes devem estar presentes nos corpos d’água para promoverem a cadeia alimentar. Porém, quando em excesso há um distúrbio na cadeia alimentar natural pois alguns organismos se proliferam as custas de outros. É o caso das algas, que se proliferam rapidamente com o excesso de nutrientes e ao morrerem sedimentam para o fundo da Baía acumulando material que requer grande demanda de oxigênio para ser decomposto. Dentre todas as formas de nitrogênio, o NID, Nitrogênio Inorgânico Dissolvido (nitratos+nitritos+amônio) é de grande interesse pois é a forma biodisponível mais usada pelas algas.

Fósforo Total

Fósforo total é um indicador do excesso de fósforo nas águas. O fósforo se anexa aos sedimentos sendo portanto associado também à poluição dos sedimentos. O fósforo é um nutriente essencial para as plantas e animais, porém, em grandes quantidades nas águas pode causar a proliferação desenfreada de algas, que é responsável por limitar e esgotar o oxigênio para os peixes e outros organismos marinhos.

Ortofosfato

Ortofosfato é um indicador do excesso de fósforo nas águas. O fósforo se anexa aos sedimentos sendo portanto associado também à poluição dos sedimentos. O fósforo é um nutriente essencial para as plantas e animais, porém, em grandes quantidades nas águas pode causar a proliferação desenfreada de algas, que é responsável por limitar e esgotar o oxigênio para os peixes e outros organismos marinhos.Ortofosfato é a forma do fósforo que está diretamente apropriada para o uso pelas plantas, e portanto, imediatamente atua como fertilizante ao ser lançado em corpos hídricos.

Turbidez

A turbidez é uma medida da transparência da água que expressa o quanto a luz atravessa a coluna d’água. A turbidez depende da quantidade de partículas suspensas (por exemplo, sedimentos, algas, bacterias) e matéria orgânica colorida presente. Água clara é fator crítico para o crescimento e sobrevivência de peixes, caranguejos, e outros organismos aquáticos.

Coliformes Fecais

Bactérias tais como coliformes fecais ocorrem naturalmente tanto em águas doces quanto águas salinas. Bactérias também são comumente encontradas no intestino de seres humanos e outros animais de sangue quente. A maioria não prejudica os humanos e animais, porém algumas bactérias são patogênicas e podem causar doenças às pessoas em contato com águas contaminadas. Coliformes fecais são um importante indicador de contaminação fecal para uma caracterização e avaliação geral da qualidade das águas. A presença de coliformes fecais em um corpo hídrico sugere que o meio recebeu matéria fecal ou esgotos e portanto pode conter outras bactérias e patógenos. Patógenos podem se originar das fezes de vários animais, incluindo animais selvagens, domésticos, ou seres humanos, através da infiltração das fossas sépticas e sistemas de esgotamento ineficientes.